Mercúrio dos latinos e Thot dos egípcios, filho de Júpiter e da ninfa Maia, teve muitas amantes, entre as quais, Antianira e Prosérpina. Era irmão de Apolo, e personificava o vento. Nasceu em Arcádia numa tenebrosa caverna do monte Cilene e, apenas viera ao mundo, desembaraçou-se dos cueiros, e partiu para as montanhas; aí roubou, do rebanho dos deuses, cinqüenta vitelas, e sacrificou quatro delas para se deleitar com o cheiro de carnes fumegantes. Apolo, responsável pela guarda do rebanho, resolveu eliminar tão perigosa criatura; mas Hermes, conhecendo a paixão musical de Apolo, fabricou, uma lira e dela arrancou sons tão divinos que, como água na fervura, aplacaram a cólera daquele deus, que acabou por confiar-lhe a guarda dos bezerros celestes. É pois Hermes o deus dos ladrões e dos pastores. É, além disso, mensageiro dos deuses e guia dos homens: calçado de sandálias aladas, transpõe distâncias consideráveis, num abrir e fechar de olhos. Recolhe as almas nos ares e, com sua varinha, as conduz aos juízes dos infernos. Graças à sua arte de persuadir é, também, o deus do comércio, da palavra e da eloqüência. É geralmente representado na figura de um jovem, ora inteiramente nú, ora com um manto nos ombros, trazendo uma bolsa em uma das mãos; na outra, um caduceu e, na cabeça, um gorro guarnecido de asas. Como emblema da eloqüência, os gregos lhe ofereciam a língua dos animais imolados.