Conta-nos a lenda que Pélias usurpara o trono da Tessália que
competia ao seu irmão mais velho Eson; e, como este viesse, mais
tarde, a ter um filho herdeiro, de nome Jasão, Pélias, temendo
que essa criança viesse a ser, futuramente, um sério
obstáculo à continuação do seu reinado, resolveu
eliminá-la. Eson, percebendo esse criminoso intuito do irmão,
cobriu-se de luto, simulou habilmente a morte do filho, e confiou-o aos
cuidados do centauro Quiron. Pélias tranqüilizou-se diante do
desaparecimento do sobrinho; mas, ouvindo um oráculo, o deus
respondeu-lhe que um homem, com sandálias apenas em um dos
pés, poria em risco o seu reinado. Tempos depois, Jasão
já era homem, quando Pélias, vindo a conhecê-lo,
ignorando contudo tratar-se do seu sobrinho, convidou-o para uma festa.
Jasão aceitou o convite, e, tendo perdido, em caminho, uma das
sandálias, apresentou-se apenas com um dos pés calçado.
Pélias lembrando-se então do oráculo, perguntou-lhe:
"Que farias, meu amigo, se fosses rei, e um oráculo predissesse que
um teu visitante viria a destronar-te?". "Mandá-lo-ia buscar o
Tosão de ouro", respondeu Jasão. Pois bem, és tu,
precisamente, o indicado pelo oráculo; vai, portanto, buscar o
precioso talismã; se mo apresentares, eu te restituirei o trono.
Jasão obedeceu, e, sem perda de tempo, começou a tomar as
providências preliminares para a sua arrojada empresa: Auxiliado por
Minerva, construiu então a nau " Argos " ( a veloz ), e nela
embarcou, com mais 52 tripulantes, rumando para a Cólchida, onde foi
ter à presença do rei Eétes, e o intimou a entregar o
Velo que se achava sob o seu poder. O rei, certo de mandá-lo à
morte, impôs-lhe, como condição:
1º
pôr a canga em dois touros de pés e cornos de bronze, que
deitavam fogo pelas narinas, e os atrelar a uma charrua de diamante;
2º lavrar, com eles, uma vasta área, e nela semear os dentes do
dragão Cadmo;
3º vencer os gigantes armados que viessem
a nascer dessas sementes e, finalmente,
4º enfrentar e matar o
dragão guarda do Velo.
Jasão, tendo conquistado o amor
de Medéa, filha do rei e perita feiticeira, dela obteve, sob promessa
de casamento, todos os elementos necessários à completa
vitória: recebeu um bálsamo maravilhoso para ser untado no seu
corpo e nas suas armas, tornando-os invulneráveis ao fogo, e foi-lhe
recomendado que, quando nascessem os gigantes, atirasse uma pedra no meio
deles, o que os faria lutar uns contra os outros, até se
exterminarem. Essas recomendações, seguidas a risco, deram o
resultado desejado. Restava apenas vencer o dragão; para isso,
Medéa, com uma beberagem mágica, fê-lo adormecer, e
Jasão, encontrando-o inerte, em profundo sono, atravessou-o com sua
afiada lança, tombando-o por terra. Em seguida, apossou-se do Velo de
ouro e fugiu com Medéa. Chegando a Tessália, entregou-o a
Pélias e reclamou o prometido; e como este soberano se recusasse a
cumprí-lo, Medéa tirou uma cruel vingança: Disse
às filhas do usurpador que elas poderiam facilmente
rejuvenescê-lo, para o que deviam fazê-lo em pedaços, e
deitá-lo a ferver em um caldeirão, com determinadas ervas; e,
por esse processo, transformou-o em cordeirinho. As moças, em vista
do que acabavam de testemunhar, não vacilaram em matar o velho pai,
reduzí-lo a pedaços, esperando em vão, vê-lo
ressurgir jovem e formoso. Eliminado assim Pélias, Jasão
reinvidicou o trono. Foram eles: Acasto, Admeto, Aethalides,
Amfiaráu, Amfidamas, Amfion, os dois Anceu, Arcadiens, Argos,
Asterio, Asterion, Augen, Butes, Calais, Castor, Ceneu, Cefeu, Clyto,
Deucalião, Echion, Ergino, Eumedonte, Eufen, Euryto, Glauco,
Hércules, Idas, Idmon, os dois Iola, Ifício, Ificlos, Ifito,
Jasão, Laertes, Linceu, Linco, Meleagro, Menétio, Mapso,
Nanplio, Neleu, Oileu, Orfeu, Peleu, Filamon, Prithoo, Pólux, Theseu,
Tiphys, Tideu e Zetes.