Zeus

Mitologia Greco-Romana

Júpiter dos latinos, Osíris dos egípcios e Amon do resto da África, filho de Cronos ( Saturno ) e de Rea. Deus do raio do trovão, supremo rei do Olimpo, senhor do mundo e pai dos deuses e dos homens, agita o universo com um simples movimento de sua cabeça. Conta-nos a lenda que seu pai, símbolo do tempo, que devora tudo o que cria, obteve, do irmão mais velho Titão, a desistência dos direitos da progenitura, que lhe assegurava o império do universo, sob condição dele ir eliminando ( devorando-os ) todos os seus filhos varões que fossem nascendo da sua esposa Rea. Destarte, tais direitos, futuramente, se perpetuariam nos descendentes de Titão. Foi Zeus o único que escapou, graças às precauções de sua mãe que, ao sentí-lo estremecer nas entranhas, desceu do céu e encaminhou-se para um profundo vale, onde deu à luz o divino ser, e entregou aos cuidados de uma ninfa que o levou para a ilha de Creta e o ocultou em uma caverna, cuja entrada era velada por sombria vegetação. Em seguida, apresentou ao esposo uma enorme pedra envolta em cueiros, fazendo constar ser o recém-nascido. Iludido, Cronos devorou a pedra. No seu esconderijo, Zeus cresceu alimentado com o leite da cabra Amaltéa, com o mel que as abelhas lhe ofereciam e com ambrosias que as pombas traziam, enquanto uma linda águia oferecia-lhe o néctar, licor da imortalidade colhido numa fonte divina; as ninfas Adrastéia e Ida vinha distraí-lo, e os coribantes ou curetas dançavam em torno dele, e abafavam seus vagidos com entrechocar de espadas, afim de que não despertassem a mais leve suspeita paterna. Tornando-se adulto, Zeus saiu da caverna e, a conselho da deusa Metis ( a Prudênica ), a quem se associou, obrigou o pai a ingerir uma beberagem, cujo efeito foi de fazê-lo vomitar a pedra e, em seguida, os seus irmãos Netuno e Plutão, e o destronou. Zeus iniciou, daí, o seu reinado no Olimpo; mas como os titãs não quisessem se submeter ao seu império e, sobrepondo o monte Pélion ao Ossa, pretendessem escalar o Olimpo, teve ele necessidade de eliminá-los; dardejando relâmpagos e raios, auxiliados por seus irmãos Netuno e Plutão, pelos cíclopes e por três dos gigantes de cinqüenta cabeças e cem braços ( Egeon, Coto e Giges ), deu-lhes então renhido combate, no qual montanhas e rochedos eram arremessados, de parte a parte, formando novas montanhas, ao caírem na terra, ou semeando ilhas, quando precipitadas no mar. O vestígio deixado por essa luta épica é o panorama caótico que a natureza nos oferece. Completando a sua obra, Zeus encadeou, sob a massa do Etna e de outros vulcões, os últimos dos seus adversários: Tifeu, demônio do furacão, e os gigantes Encelado, Hiberbios, Efialto e Políbotes. Daí, os gregos explicam as freqüentes convulsões subterrâneas e os tremores de terra. Uma vez consolidado o seu poder, Zeus partilhou o universo com seus irmãos, cabendo-lhe o céu; a Netuno, o mar; e a Plutão, os infernos. Zeus teve muitas mulheres e inúmera prole: primeiramente, desposou Metis, a personificação da sabedoria. Querendo o poeta significar que ao poder de Zeus estava ligada a sabedoria, idealizou haver ele encerrado Metis no seio, assimilando-a e gerando Minerva. Chegado o tempo da gestação, ordenou a Vulcano que vibrasse, sobre a sua cabeça um profundo golpe de machado. A arma brandiu, e da divina fronte surgiu a deusa Athené ( Minerva ) vestida de armaduras guerreiras. Em seguida, Zeus teve por esposa Temis, a deusa da justiça, de quem houve as horas e as parcas. Da titanidade Mnemósine, deusa da memória, Zeus teve as nove musas; da oceânide Eurimone, as graças; de Demeter, Prosérpina; de Leto, ou Latona, Apolo e Diana; de Alcmene, Herácles; de Dione, a bela Afrodite; de Sêmele, Dionísio; e de Maia, Hermes. Metamorfoseado em touro, Zeus raptou Europa, de quem houve Minos e Radamanto, os juízes dos infernos. Finalmente, mudado em chuva de ouro, fecundou Danae, de quem teve Perseu. Os artistas representam-no sob aspecto majestoso, com barba espessa, cabeleira basta, sentado em seu trono de ouro ou de marfim, segurando o raio, com mão direita, e o cetro com a esquerda. Aos seus pés, vê-se a águia raptora de Ganímedes com as asas abertas. Muitas outras representações têm sido idealizadas pela fértil imaginação dos artistas.