Hera

Mitologia Greco-Romana

Juno dos latinos, filha de Saturno e de Rea, e irmã de Júpiter, Netuno, Plutão, Ceres e Vesta, foi educada pelas Horas, segundo uns, ou pelo Oceano e Tetis, segundo outros. Conta-nos uma lenda que, em dia invernoso, Hera achava-se , em um verdejante prado, quando um cuco, tiritante de frio, esvoaçou sobre a sua cabeça, e pousou em seu ombro. Penalizada, ela afagou a delicada avezinha, e aqueceu-a na tipidez do seu níveo seio. Este cuco era o seu irmão gêmeo Júpiter, que por ela se apaixonou e que, retomando então a sua forma natural, deu-se a conhecer, confessou o seu amor, e pediu-a em casamento. Nas divinas núpcias celebradas na ilha de Creta, compareceram todos os deuses e semideuses, exceto Queloni que, por esse descaso, foi transformada em tartaruga. A terra ofereceu aos noivos um macio leito de relva; as árvores se inclinavam para saudá-los e, balançadas ao sopro da brisa, espargiram, à sua passagem, perfumosas flores; as fontes cristalinas exalaram o delicioso perfume da ambrosia; aves multicores espalhavam, por entre as folhagens, harmoniosos gorgeios, e quando Juno recebeu a mão do supremo deus, uma nuvem dourada os elevou a ambos para a alegria do Olimpo. Hera, daí por diante, passou a ser a imortal soberana, rainha do Olimpo, onde participava da autoridade do seu divino esposo, de quem teve três filhos: Hebe, Marte e Vulcano. Na sua presença todos os deuses se curvam reverentes. É ela a mais bela, a mais augusta, a mais respeitável das deusas, sagrado modelo de mulher perfeita. Sendo a personificação da fidelidade conjugal, fizeram-na deusa do casamento sob o nome de Pronuba. Preside também aos nascimentos, sob o nome de Lucina. Em sua honra sacrificam-se ovelhas. Uma outra lenda interessante prende-se ao ciúme da deusa: Julgando-se abandonada por seu real esposo que, a miúdo, deixava o Olimpo, para visitar as ninfas na terra, resolveu retirar-se dali e não mais voltar. Para dissipar essa nuvem que toldava a harmonia do casal, Júpiter usou de um estratagema: vestiu de noiva um manequim, e o coloclou em um trono que armara num suntuoso carro, ordenando ao cocheiro que percorresse a cidade de Eubéa, anunciando, em alta voz, achar-se ali Platéia, filha de Asopo, e noiva do deus dos deuses. Ao ouvir o anúncio, Juno, enfurecida, precipitou-se sobre a suposta rival reduzindo-a a pedaços; verificando o logro, deu boas gargalhadas, e acabou voltando para o Olimpo com seu esposo. Os poetas a representam em cima de um coche tirado por pavões, tendo uma destas aves ao seu lado.